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Sem desculpas esfarrapadas

Pela primeira vez em quase dois meses, ontem de manhã cedo ia sozinha no carro para o serviço. Os meninos ficaram em casa, pois não tiveram aulas. Com as restrições do trânsito a hora de ponta, fui por um caminha mais longo e com mais semáforos. Nem importei-me por poder perder-me em pensamento, enquanto apreciava a vida matinal desenrolar ao longo do caminho.
Justo enquanto pensava no previlégio que era estar a desfrutar de uma condução despreocupada de hórarios e afazeres marternais, vejo um ciclista apanhar um trambolhão no passeio ao meu lado. Não encontrei espaço para estacionar e verificar se estava bem, mas segui a verificar gratificada pelo retrovisor que o carro que vinha atrás de mim conseguiu um espacito e estacionou preocupado e ofereceu ajuda. O ciclista levantou-se e seguiu o seu caminho.
Lembrei-me de um episódio similar ao do ciclista que tive há mais ou menos 3 anos atrás. Na altura eu exercitava com certa frequência, normalmente saltava a corda no meu quintal, fazia outros exercícios de cardio mesmo em casa e corria ocasionalmente. Certo dia, sai cedo do serviço, estacionei o carro ao lado da creche dos meninos, troquei de roupa e fui correndo solita pelos passeios da cidade. Com a minha musiqueta favorita. Aí 10 minutos do meu percurso, sem mesmo tropeçar, quase que como se tivesse sido empurrada, cai no passeio. Uma queda daquelas que levaria um prolongado máaaaaaaa! se tivesse acontecido aos olhos de observadores por ruelas Luandinas.
Levantei-me com um medalhão na mão e uma mordidela no interior do meu lábio inferior. Continuei a minha corrida e a terminei forte, pois desistir não estava nem em questão. Inevitavelmente, apanhei um susto. Afinal, como mencionei antes, eu era apenas uma curiosa que aventurava-me a correr ocasionalmente. Mas o maridão, que corre maratonas e ultra maratonas (ex. Comerades in Durban South Africa e Marine corps ou JFK 50 na área de Washington DC, EUA) várias vezes falou-me de casos de quedas pelos percursos por onde ele passou nos 7 anos que tem estado a correr. Ele diz-me sempre que desistir, ainda que parcialmente lesado como eu, seria uma desculpa. Em muitos casos, os corredores, mesmo ensanguentados depois da queda, seguem o percurso e por vezes terminam sempre maiores problemas.
Felizmente nem eu nem o ciclista levamos o trambolhão como um obstáculos para seguir o nosso caminho. A diferença é que o ciclista caiu do seu meio de transporta para o serviço ontem de manhã, o que pode ser substituído facilmente por outros e/ou continuar o mesmo. No meu caso, eu voltei a correr mais algumas vezes, mas já não o faço parte da minha rotina há mais de um ano. Infelizmente, até mesmo saltar a corda, que amo!, e os outros exercícios não têm sido incluídos no meu calendário.
A queda do ciclista ontem e a conversa que tive com os pequeninos cá de casa, à caminha de casa depois das actividades deles extracurriculares, fez-me pensar o quanto eu não tenho tirado proveito de algo que absolutamente AMO, exercitar. Não há absolutamente uma desculpa porquê que não tenho feito. O problema não é falta de tempo e tão pouco falta de espaço. Falta-me é a iniciativa de levantar-me, vestir-me bem e pôr os sapatos apropriados...

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