Parei de trabalhar no computador, como fazia muitas noites, a ver se me fizesses um carinho, que me trouxesses algo para comer, um lanchinho da meia-noite. Mas já não estavas acordada como em muitas outras noites antes dessa. Pela primeira vez, não apressei-me em voltar a trabalhar, chocado a olhar para ti como em mais de 10 anos já não olhava com mesmo pormenor. Não parecias dormir. Ao pensar nisso, o meu coração pulou e acelerou… Nem posso imaginar. O que seria de mim sem ti, minha mulher? Já havia esquecido que nunca mais te tinha visto dormir. Mesmo nos dias em que trabalhei tarde, na sua maioria, ficavas desperta e deixavas-me adormecer enquanto arrumavas as últimas coisas pela casa. Agora, vendo-te aqui deitada, anseio um suspiro, um ressonar que grite com o meu ego questionando para onde foi o tempo. Com os dois braços por baixo da cabeça e o semblante exausto, nem o silêncio da noite advocou pelo empurrão que a vida te tem dado. As tuas mãos juntas parecem suplicar pre...