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Showing posts from August, 2014

Mero acaso

Via Google Os meus olhos não acreditavam o que viam entrar pelas portas do café na esquina da Rua das Maravilhas na baixa de Luanda. Pouco frequentado àquela hora da manhã, a maioria dos clientes eram muito mais velhos, os que vinham da igreja do outro lado das parades traseiras e sentavam-se para deixar passar o dia, antes de deixarem-se englobar pelas paredes das suas casas que muitas vezes não os permitiam mais explorar a cidade de taão cansados os seus ossos. Baixei os olhos na expectativa que ela não me fosse notar. O que esperava mesmo é que ele não me notasse. Pousei o cotuvelo na mesa e desejei que a minha maão fosse maior para cobrir-me por completo. -        -  Noé!? Oivi-a bem próximo de mim. Não tive como fugir. -        Não acredito, voltou a dizer a Cenira. Àquela voz bem eu conhecia. Venerei-a por muitos anos e não acho que fui correspondido da mesma forma. O traiçoeiro do meu corpo está a relembr...

Envolvida~ deixar ir

[...] Desde esse encontro que passei a esboçar outras saidas a sós com ele, mesmo na cidade, por vezes durante o dia, que o fizeram não mais desgrudar de mim. Eu contiunava a fantasia, com inspiração na Putónia, e descarregava rigorosamente nele. Ele passou a chegar cedinho à casa e quase não saia aos fins de semana, senão quando eu o pedisse que fosse com os amigos. Sim, eu tinha de o pedir que saísse. [...] Foto via Google

Em busca da Peixeira

Via SanzalAngola Na minha última ida à Luanda vivi uma luta diária em busca do grito da Peixeira. Algo que era tão familiar, tão comum nas memórias das minhas férias em casa, dessa última vez ficou marcado com a falta... Não só não tive o despertar do grito dessa(s) mulher(es) pela rua onde fiquei, mas, desapontada ficou-me dessa vez a buzina irritante dos carrinhos de venda de lanches ou gelados. Irritou-me porque nas minhas tentativas de busca aos sons que me eram confortáveis, fui martelada quase que dia e noite pelo crescimento infra-estrutural com as obras ao redor do meu alojamento e com essas buzinas que não me permitiam encontrar o grito de alerta da Peixeira ou das quitandeiras que eu por anos apreciei, sobre elas escrevi e queria uma vez mais ouvir, sentir e viver. Não me contento com esse desperdiço no quotidiano dessa cidade em crescimento. Seguirei em busca da Peixeira, do grito dela e das suas companheiras ambulantes, as Kinguilas.

Lições desse verão

Partilhei muitas vezes aqui as minhas histórias de aprendizado com os pequenos. Agora que o verão está quase a terminar e vamos começando a preparar-nos para iniciar mais um ano lectivo, faço uma introspecção sobre o que eles fizeram e chego a conclusão de que eles continuam inconscientes dos ensinamentos que me têm passado. Esse ano reciei voltar a inscreve-los em actividades onde eles tivessem que acordar cedo para sairem comigo de manhã. Por incrivel que pareça, desde o inicio das férias que eles despertam muito próximo do meu horário. Têm tido as suas actividades que eles mesmos planearam, que eu apenas tenho de dar o aval e ca$hé. Ao chegar à casa, a independência que eles têm vindo a obter faz deles distantes, confidentes e até inquisitivos à minha chegada permatura (tudo porque ainda não ter anoitecido).   Com tudo isso, aprendi que desde que eles tenham o mínimo, o resto, à essa etapa etária, torna-se mais aventureiro eles próprios planearem. Linsojeo-me em notar...