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| Via Google |
Os meus olhos não acreditavam o que viam entrar pelas portas
do café na esquina da Rua das Maravilhas na baixa de Luanda. Pouco frequentado
àquela hora da manhã, a maioria dos clientes eram muito mais velhos, os que
vinham da igreja do outro lado das parades traseiras e sentavam-se para deixar
passar o dia, antes de deixarem-se englobar pelas paredes das suas casas que
muitas vezes não os permitiam mais explorar a cidade de taão cansados os seus
ossos.
Baixei os olhos na expectativa que ela não me fosse notar. O
que esperava mesmo é que ele não me notasse. Pousei o cotuvelo na mesa e
desejei que a minha maão fosse maior para cobrir-me por completo.
- - Noé!? Oivi-a bem próximo de mim. Não tive como fugir.
-
Não acredito, voltou a dizer a Cenira.
Àquela voz bem eu conhecia. Venerei-a por muitos anos e não
acho que fui correspondido da mesma forma. O traiçoeiro do meu corpo está a
relembrar-me o quanto.
- - Oi, Cenira! Não sabia que estavas cá. Não quis saber, pensei.
- - Já estou cá há dois anos.
- - Sim!? Quantas
vezes preciso de pensar que não quis saber? Forcei um sorriso. Mas porque é
que estava a tentar rir-me com ela.
- - Deixa-me sentar-me, vou dizer-te o que é feito
de mim. Mas estou é curiosa em saber o que aconteceu contigo.
Não acredito… Essa mulher tem coragem… Não a consegui dizer
nada. Não sei como e quando ela ficou com a minha habilidade de falar e
inventar uma desculpa para desfarrapar-me da companhia dela.
Afastou-se e foi buscar algo para beber e comer. Pela janela
espelhada ao meu lado, conseguia vêr o
reflexo dela distanciar-se, sempre vaidosa, numa simles e timida elegância
sensual. Deixou rastos do seu perfume que teimava abraçar-me, o mesmo que não
me largou há 3 anos atrás. Esse perfume que também cegou-me.
[...]

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