Skip to main content

O menino das bolas e a velha cheia de babas

Não cheguei a partilhar convosco aqui, mas o meu menino tem, desde Março de 2012, participado de desportos, o que não só ocupa o seu tempo mas o meu, da mana dele e de todos nós como família. Sem treinos, senão o do pai cá em casa, ele iniciou com futebol e agora no fim das férias grandes fez, também pela primeira vez, uma versão modificada de futebol Americano. Prà minha surpresa e orgulho, ele deu-se muitíssimo bem que passou a ser a estrela da equipa nos dois casos; o que marcava mais pontos, apesar de não ser o único em muitos jogos. Como mãe, lisonjeou-me vê-lo florir em algo que nunca pensamos sequer inclui-lo.

Ele sempre teve uma grande inclinação por bolas desde muito pequenote. Prà ser sincera, no dia em que começou a andar, como em muitos outros dias até então, brincávamos com bolas para o fazer mover-se. Entretanto, inesperadamente, naquela noite em 2006, o meu pequenino, meu gordito na altura, levantou-se, equilibrou-se, correu em direcção a uma bola e chutou-a com uma energia que só tem vindo a crescer com o tempo. Esse mesmo menino, hoje custa-lhe parar e ignorar a presença de uma bola…

Nesta primeira temporada de futebol Americano modificado, eu estive em todos os treinos, com a excepção de um (que deixou-me de coração partido por ter ficado perdida no trânsito), e em todos os jogos debaixo de frio ou não. Mas nada preparou-me para o poder de emoções que senti no penúltimo jogo que tivemos. Chegamos as semifinais e perdíamos nos primeiros minutos do jogo e até aos últimos cinco minutos, apesar do menino do meu coração ter já marcado duas vezes. Nós, os pais dos membros da equipa, já nos tínhamos preparado para aceitar a derrota e vir, eventualmente a consola-los. Mas, quase que num momento milagroso, o meu menino marca uma vez mais e leva-me para o topo de um instante emotivo que eu gritava e tremia de alegria. Se me estivessem a observar (o que provavelmente estavam), diriam que deu-me um belo ataque de calundu. Só não me caíram lágrimas porque não as deixei.

Perdemos o jogo seguinte e terminou a temporada para nós. Mas ganhamos um orgulho, não só pelo meu pequeno que ajudou a proporcionar à equipa as medalhas da foto, mas pelo que cada um e todos os membros da equipa contribuiram, aos nossos olhos, para melhor equipa de caloiros. Éramos um grupo que inicialmente não tinha nem genica para correr, mas que no fim de três meses floriram como pequenos botões de rosas sob o carinho e atenção de quem os cuida. Os treinadores por vezes pareceram crianças com manhas e mimos, quando gritassem ou reclamassem. O que agora nós, os pais, entendemos ter sido trabalho árduo de um trio e treinadores amadore que apenas queriam o melhor dos nossos pequenos. Felizmente todo o esforço por eles aplicado, treinando até mesmo sob chuva, fez crescer a confidência de 10 meninos, incluindo o meu, que apenas haviam tido contacto com tal desporto na brincadeira até o inicio do campeonato. Os pequenos são amigos que cresceram juntos nos últimos 3 anos que estão na mesma escola, desde a iniciação, mas que, evidentemente, tornaram-se mais próximos e criaram certo grau de proximidade entre nós, os pais, e entre os irmãos cassulinhas deles.

Esperamos pelo próximo campeonato, daqui a meses. Mas, “enquanto o lobo não vem”, de momento estamos a descansar até a primeira semana de Dezembro em que o meu pequeno participará de futebol de salão. A mana dele que sempre oscilou no que queria fazer como actividade extracurricular, agora diz estar certa de que também quer fazer algo… E assim ė a vida dessa mãe, depois de sair do serviço e prà além dos meus afazeres em casa.

Comments

Popular posts from this blog

Feliz dia da Mulher Angolana!

"Por ser Mulher" Desenho e poema de Lwsinha MC

Xadrez ressuscitante

(...) Os dias acinzentaram ao ver desaparecer a vida dos olhos do meu velho com a perda de memória dele. Já não se deixava sorrir de frustração por não encontrar as chaves do carro facilmente, ter perdido a independência dele e ficado sob a mercê do nosso tempo.  Passamos a sair em caminhadas por diferentes áreas do bairro. Hoje encontrarmos miúdos e mais velhos a jogarem xadrez numa das entradas da zona verde. Ele que dava tudo por um passo apressado, desacelerou e suspirou à vista de um tabuleiro que arrumava um menino numa das mesas. - Mô cota, queres jogar? Perguntou-lhe desafiante o miúdo. Respondeu-lhe com o sorriso que vi acender no rosto do velho e a rapidez com que se sentou e jogou por horas. Dali não saímos até escurecer. (...) Photo de Lwsinha MC Instagram  @dandp.da.lwlw

BC #2- "O que mudou na minha vida depois da maternidade"

E essa  é  a segunda blogagem colectiva aqui do "outro lado", uma iniciativa da Genis Borges do reciclando com a mamãe . Reciclando com a Mamãe   Com as minhas experiências da maternidade, aprendi que o corpo humano (e cada gravidez) é como se fosse uma doença positiva que gere vidas e trás alegrias, na sua maioria das vezes. Após nascer o meu menino, escrevi cartas às mulheres que fizeram de tudo para demonstrar-me as diferentes facetas da maternidade. Desde então que agradeço a minha própria mãe, que não desistiu, no meio de tanta adversidade, para que eu nascesse. Pela deligência dela, para sempre serei grata. Pessoalmente, deixamos (eu e o pai) de ouvir ou ver todo e qualquer tipo de música, programas de televisão ou filmes, quando bem nos apetece. Hoje temos horários para tal, quer seja em casa ou fora dai. Ir ao cinema passou a ser orquestrado de formas a fazermos durante o(s) horário(s) que o(s) menino(s) estivesse(m) na escola. Desde que eles...