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As mensagens que ouvimos ao crescermos e, penso que mais
ainda, quando nos tornamos pais. Eu tenho e tive grande exemplo na forma como
os meus pais criaram o meu irmão e a mim (e aos N primos, tios e “irmãos”
adoptivos que tiremos). Hoje, no papel de mãe, essas mensagens ecoam bem mais
alto no meu quotidiano. Mas prevalecem os ensinamentos dos senhores meus pais.
A maior aberração que oiço é que meninos/homens não devem
chorar. Como alguém que trabalha na área de desenvolvimento humano, como
“gestora de emoções” como explico as vezes aos pequenotes, custa-me crer que
esforçam-se os adultos a ensinar aos pequenotes que certas emoções são
diferentes dependendo do género. Devia até ser um crime isso... Ao invés de
estarmos a educa-los, estamos mas é a rouba-los da mais básica expressão humana
que são as emoções. Qualquer que seja a emoção- alegria, tristeza, frustração,
aborrecimento, etc- são emoções que todos nos temos e devemos sentir e que não
tem de ser moderadas e sim ensinadas a ser geridas.
O choro é permitido em minha casa e, mesmo que as vezes
seja difícil de ouvi-los aos gritos, nos aprendemos a ignorar esses berrinhos e
a dar-lhe espaço para comporem-me. Digo-lhes muitas vezes, se não for para demonstrar
que estão com alguma dor algures, por tristeza, raiva ou uma frustração, eles
que consigam comunicar-se falando. Ninguém cá em casa consegue algo que quer
chorando.
Para além das emoções, há outras coisas que vou mencionar
para a nossa (re)avaliação.
Como eu não brinquei muito com bonecas, encanta-me ver que
a minha filha também não é lá muito amiga delas. Sou de opinião, assim como me
foi ensinado, que as meninas não precisam apenas de aprender e/o ser deixadas
participar de brincadeiras/actividades vistas como mais femininas, como brincar
de bonecas ou casinha. Eu exponho a minha menina, assim como eu fui exposta na
mais tenra idade, a jogos, brinquedos e actividades físicas ao ar livre que
ajudem a minha menina e o meu menino a estimular a capacidade física visual e
espacial deles, assim como a auto-estima.
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É
igualmente importante que os meus se expressem de forma adequada. Apesar de
estudos indicarem que meninas desenvolvem com mais facilidade a sua habilidade
expressiva, para mim é mais importante que meninos e meninas saibam falar e
ouvir, assim como escrever, para poderem comunicar-se sem receios. Vou
estimulando a capacidade dos pequenos na minha vida expressarem-se criando e
partilhando ou contando histórias para e com eles, da mesma forma como os
incentivo a conversarem. Um dos meus exercícios favoritos, é pedi-los que
desenvolvam um texto apartir de uma primeira frase ou introdução comum. Após
criarmos o texto, temos de lê-los em voz alta e, as vezes, ilustra-los, quando
não criamos um só texto ao mesmo tempo. Esse último já e mais complicado.
Eu
não estimulo agressividade quer ao meu filho como a minha filha. Se tivermos de
dizer algo tem de ser por palavras, digo-lhes, e que agressão não é forma de
nos comunicarmos.
Ensinei
(e ainda tenho ensinado) aos dois a arrumarem as suas coisas e espero
exactamente o mesmo dos dois. Chamo-os para participarem das actividades
domésticas e demonstramos que este papel não é apenas feminino, assim como me
foi ensinado.
Quero
que os meus filhos desfrutem da infância deles o máximo que possam. Espero que
eles saibam o valor de brincar (não apenas com aparelhos electrónicos), que
descubram aventuras por onde passamos e valorizem os momentos de silêncio ao
meu lado. Tive nos meus pais um grande exemplo de parceria e amizade na relação
ao educarem os filhos de que menciono acima (não só a mim e ao meu cassule) e
espero passar essa mesma mensagem para os meus pequenos. Por isso, assim como
em casa dos meus pais não foi, aqui em casa fazemos um esforço consciente de
não demonstrar que “meninas não fazem isso, meninos não fazem aquilo” também,
mas sim fazemos todos.
“À medida que os filhos crescem, a
mãe deve diminuir de tamanho. Mas a tendência da gente é continuar a ser
enorme." Continuamos a querer abrir as nossas asas e seguir protegendo os
nossos filhos, a ponto, por vezes, de sermos ate prejudiciais.”
~ Clarice Lispector~


Como concordo contigo! Em minha casa também é permitido chorar, seja homem, mulher ou criança, mas sem 'crise' como digo aos meus filhos. O chorar é natural quando estamos tristes com algum coisa, já a 'crise' é uma birra eu não nos leva a lado nenhum. O meu filho adora jogar futebol, carros e super heróis, mas sempre brincou em casa e na escolinha ao faz de conta e gosta muito de brincar com a cozinha e bonecas. Desde pequenos eles por vezes vão comigo para a cozinha fazer bolos e bolachas e desde sempre viram o pai a ajudar em algumas tarefas como dar-lhes banho. Acho importante passar esses valores de que falas.
ReplyDeleteKisses
MSM
Obrigada por partilhar as suas experiências de educação/orientação dos pequeninos! É muitíssimo importante que eles vejam a parceria entre os pais nessas tarefas
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