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Da cegonha à Anatomia

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Conversas cá de casa que surgiram, como se, simplesmente do nada...

My ‘nina (a minha menina): mãe, espera ai, como é que os bebés entram para dentro das mães? 
Eu: como é que achas que eles entram?
O irmão distraiu-a e eu safei-me da minha segunda ou terceira tentativa do desvendo da estória da cegonha (passo a mão pela testa para limpar o suor).

Isso tudo passou há mais ou menos duas semanas. Escolhi acreditar que na próxima conversa ela viria contar-me a verdade que aprendeu. Mas como estava errada.

Hoje a conversa voltou enquanto ela tomava banho ao fim do dia. Invés de escapar-me e tentar encontrar outra saída decidi entrar para esse labirinto que é o autoconhecimento. De que me adianta andar as voltas ou fugir delas se tudo que a menina tem é uma genuíno curiosidade de conhecer o corpo dela, de questionar o incógnito que são alguns fenómenos naturais da vida.

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A conversa hoje iniciou com, “mãe, e como é que o bebes crescem dentro das mães?” Eu: os homens têm algo no corpo deles que se junta ao corpo das mulheres e formam células que se desenvolvem e criam um ser. Vais aprender mais sobre as células na escolar e em livros. Ela: hum! E quando é que as mulheres podem ficar grávidas? Eu: quando elas encontram alguém com quem se juntam. Expliquei-a o que era um período menstrual e que fazia parte do processo reprodutivo feminino. Claro que não usei esses termos. Ela perguntou-se se era possível ela ficar grávida e se iniciaria os seus ciclos agora. Molhou as minhas vestes sedosas que colaram na minha pele o medo que ela expressou. Não tive receio em abraçá-la forte, certificando-a de que iríamos ter mais conversas similares e que possivelmente ela ainda teria algum tempo até iniciar o ser ciclo. Ao menos assim espero.

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Com essas interpelações, a minha pequena começa a sua jornada activa de autoconhecimento, de explanação do que ela sente no corpo e observa o mundo ao seu redor. É para mim, como mãe, um orgulho que ela tenha um ávontade de chegar a mim e sem medos questionar essas coisas. Sentia receio de não poder responder as perguntas dela objectivamente, mas tenho sido também para nós um aprendizado, uma aventura, um bênção podermos partilhar dessa sabedoria com ela. O mais velho acha-se ter as respostas questões similares. Vamos lá a ver quando começarão as perguntas dele. Enquanto a curiosidade dele esta passiva, eu vou preparando-me para igualmente responde-lo de forma apropriada para a idade dele.

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