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Tropeços líricos

Toda a minha vida esperei ter alguém como o que tu me deste em momentos que partilhamos juntos. Jogávamos entre nós, especialmente quando estivessem presentes outras mulheres. Tu pareceste sempre querer demonstra-las que eu tinha um lugar que não aceitava ser meu. Sentia-me desconfortável, mas segui apenas as tuas pistas.

Ao ver-te partir em serviço no principio do mês senti um vázio. Lembro-me vividamente da força do teu corpo ao abraçar-me pedindo que fosse contigo. Achei gozo.  Beijei o teu rosto e deixaste comigo o calor da tua presença. À caminho de casa, a Gloria Estefan falou comigo no som  Destiny que tocou em "repeat" nos 20 minutos de trânsito.

Os 10 dias que estiveste distante não eram a mesma coisa para mim sem ti. Estava oficialmente com saudades tuas. Das tuas brincadeiras, dos teus telefonemas e das tuas chatices que soavam como gotas de chuva teimosas na chapa da marquise do meu quintal. Eu disse-me que estava na hora de aceitar que te queria.

Ao apanhar-te na estação de comboio senti  na pele o arrepio das saudades e aliviou-me o cheiro do teu perfume. Trazias também contigo o sabor doce do vento campeste que ficara nos meus lábios quando beijei o teu rosto. No primeiro semafuro sugaste tal sabor percorrendo pela minha espinha abaixo um calafrio com o mentol no teu beijo.

Viste comigo para casa onde amaste-me da forma como o toque do teus dedos sempre disse-me que o farias. Tiveste mercê do tremor do meu corpo inexperiente com a mão  firme que suportava o meu pescocço. Mas da tua respiração ofegante ouvi os teus pensamentos que não obedeciam o teu corpo… Sabia que era arriscado.

A tua despedida de ontem tornou-se o meu alarme, algo sem impotância após toda a espectativa. Não sei explicar. Só sei que hoje despertei e não sinto nada. Como é que podemos ter chegado aqui após partilharmos a alegria ao vermo-nos no teu regresso? Peguei no telefone e escrevi a mensagem: “Não te tornes indiferente aos olhos daqueles que um dia já prestigiaram a tua presença.” Jamais pensei que escreveria essa citacao da AnaP…


Hoje acredito que perdi um amigo.

Via Google

Comments

  1. Confissão: lágrimas espreitaram.
    Lindo, profundo, tocante...único.
    Gosto principalmente da simplicidade com que transmites a dor desse amante que penso que tudo faz pra manter o jindungo da relação, e ainda assim o leite acalma sabor apimentado.
    Não percebi exactamente o que lhe fez desistir da relação, se foram mesmo as saídas do amor, ou algo mais influenciou, mas me atrevo a dizr que foram mesmos as muitas despedidas.

    Sem mais delongas, querida Lwlw, continuo fã do teu trabalho. E este tem a minha cara, pois eu gosto dessa dor que é o amor, sabe quem acompanha o meu trabalho :)

    ReplyDelete
    Replies
    1. Se calhar foi a indiferença nas despedidas... :) Assim são as coisas do amor, complexas mesmo na simplicidade da dor.
      Obrigada pelo fiel apoio, Cláudia!

      Delete
    2. Faz sentido. Acho que até o amor tem suas limitações. Não a/o culpo por desistir. Lindo!

      Delete
    3. Quero acreditar que sim, pois ninguém merece viver, cada minuto a espera podia ser mais uma lembrança agradável feita se estivesse com outra pessoa. Creio que tal como conhecemos o começo, conheceremos um dia o fim.

      Delete

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