Adormeci no meio da nossa conversa. Apercebi-me apenas ao arrefecer da noite, após puxar as mantas ao ombro para cobrir-me. Abri os olhos para tentar apagar a luz que clareava a noite e fui espantada pela mudez do silêncio para deixar-me ouvir o desacelerar na respiração dela e o palpitar no meu peito. Os meus lábios tocavam o seu antebraço que se movera na minha direcção. Perdi-me a admirar cada centimetro da metade da cara que tinha enfrente à mim. Conhecia já o que via, mas nunca antes olhara assim.
A minha negra de lábios desenhados, com cantos delineados. Com o nariz, meticulosamente contornado que separa os olhos fechados, de pestanas enlongadas e sobrancelhas desarrumadas. Perdi-me ainda mais na linha capilar, de tons em castanho quase que empoeirado, encaracolado e uma trança que a essa hora nunca havia visto tão organizada, ondulada. Adormeci ao lado dela, da minha cassule, a minha negra, o meu orgulho natural.
![]() |
| Foto de Lwsinha MC |

Texto muito bonito e mimoso. Amor de mãe não tem preço.
ReplyDeleteUm beijo para as duas.
Obrigada, ELuaia! Foi mesmo um mimo viver essa experiência.
DeleteJinhos&Beijinhos para ti também.
Tal experiência só poderia ser retratada com palavras igualmente belas. :)
ReplyDeleteAssim é quando eles nos inspiram...
Delete