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Sem argumentos ou razōes prà evitar o assunto, falemos sobre abuso sexual infanto-juvenil

Já ouvi todos esses argumentos, ou razões porque os pais não falam sobre prevenção de abuso sexual infanto-juvenil com os seus filhos. Até aqui, ouvi-as tantas vezes que poderia recitá-los por saber de cor. Sei que já abordei o tópico de abuso sexual infanto-juvenil antes, mas com o novo ano decidi que seria uma boa ideia relembrar as 10 principais razões alguns pais argumentam para não falarem do assunto com os filhos. Convido-a(o) a adicionar qualquer razão que não conste nessa lista.
1. As crianças raramente são vítimas de abuso sexual. Na verdade, de acordo com os Centros para Controlo de Doenças nos Estados Unidos da América (EUA), 1 em cada 4 meninas e 1 em cada 6 meninos é abusado sexualmente até atingirem os 18 anos. Considere esses números por um momento; são chocantes e devastadores. É verdade que talvez não seja a realidade no pais em que viva, mas se nos EUA aonde a informação dos casos de vitimas está disponível, qual acha que seriam os números na realidade das comunidades com pouca proliferação de informação. Esses números por si só deveriam motivar os pais a encontrar estratégias de prevenção.
2. Esse tipo de coisa não acontece onde vivemos. Na verdade, o abuso sexual infantil não tem limites socioeconómicos, étnicos ou religiosos. Pode surgir quando você menos esperar.
3. Nós não deixamos os nossos filhos aproximarem-se de estranhos. Saiba que mais de 90% de todos os casos de abuso sexual de crianças ocorre nas mãos de alguém conhecido da criança e de confiança por parte dos pais. Mesmo se uma criança nunca esteja com desconhecido, ele ou ela poderá ser vitimizado por um vizinho, um treinador, um oficial religiosa ou membro da família.
4. O meu filho não tem idade suficiente para esta discussão. A idade apropriada para discutir prevenção do abuso sexual infantil é quando uma criança tem três anos. A conversa pode começar tão simples como "Você sabia que as partes de seu corpo coberto pela cuequinha são privadas e não são para mais ninguém ver ou tocar?" Continue a conversa, explicando à criança que ele deveria dizer a mãe, pai ou adulto de confiança, se alguém o toca nas partes privadas ou exponha as suas partes privadas para o seu filho vê-las. Tenha certeza de incluir todas as excepções necessárias, como quando eles estão a usar o quarto de banho, por questões de higiene por exemplo, e quando a visitas ao médico.
5. Eu não quero assustar o meu filho. Quando tratada adequadamente, as crianças recebem a mensagem de autorização para diálogo aberto e não tendem a temer. Como pais e educadores, nós não nos abstemos de ensinar sobre segurança física, como na rua, por medo de que nossos filhos terão ter medo de atravessar a rua. Sendo assim, é importante que abordemos o assunto de segurança do nosso corpo.
6. Gostaria de saber se algo aconteceu com o meu filho. Abuso sexual infanto-juvenil é, por vezes, difícil de detectar porque muitas vezes não há sinais físicos de abuso. As vítimas tendem a demonstrar sinais emocionais e comportamentais que podem surgir pós abuso sexual, mas, infelizmente, esses sinais podem ter uma variedade de causas.
7. O meu filho me dissesse se algo acontecesse com ele. A maioria das crianças não divulga imediatamente depois de terem sido abusadas sexualmente. Ao contrário de uma criança que cai e corre para contar aos seus pais, uma criança que foi abusada sexualmente provavelmente está a ser manipulada, ameaçadas ou forçada a não dizer a alguém porque ninguém vai acreditar nele, que as pessoas dirão que é culpa dele, que a divulgação será causa de grande tristeza na família e/ou qualquer outra coisas que o/a faça não partilhar tal segredo.
8. Nunca deixamos o nosso filho sozinho com adultos. Infelizmente crianças também podem ser abusadas sexualmente por outras crianças. A mesmíssima lição ou conversa preventiva que pode ajudar a evitar que crianças sejam abusadas sexualmente por adultos, pode mantê-los alertas de outras crianças. Ensine as crianças que tipo de toque no seu corpo é adequado e o que é impróprio, ensina-os a terminologia certa para as suas partes íntimas e ensina-os que eles podem falar consigo se alguém toca-los de forma que os faz sentir desconfortáveis.
9. Eu não quero pôr esse tipo de pensamentos na cabeça deles. Na verdade, não há dados que indiquem que uma criança que tenha sido ensinado sobre prevenção do abuso sexual infantil é mais provável inventar que foram abusadas sexualmente. De acordo com Victor Vieth, director do Centro Nacional de Treinamento em Protecção à Criança da Winona State University, "As crianças mentem, mas raramente sobre ser abusada. Todos os seres humanos podem mentir e mentem, mas é difícil as crianças a fazê-lo sobre sexo. Eles não podem mentir sobre algo que eles não têm conhecimento de", disse ele," e as crianças não aprendem sobre sexo oral na ‘Rua Sésamo’".
10. Isso não vai acontecer com o meu filho. Como revelam as estatísticas, abuso sexual de crianças é tão profundo que isso poderia acontecer a qualquer criança. Isso devia ser mais do que razão prà alerta. Pais bem informados e amorosos dizem isso N vezes. Se alguém perguntar a qualquer pai cujo filho foi abusado sexualmente, se eles achavam que o seu filho jamais seria abusado sexualmente, eu posso garantir que cada um diria que não. Ninguém quer acreditar que isto poderá acontecer ao seu filho.

Dai que precisamos parar de negar que isso poderá acontecer e reconhecer que existem formas de impedir que isso aconteça. Tome a decisão de conversar com seu filho, e/ou outros pequenos na sua vida, sobre a prevenção do abuso sexual em 2012. Poderia ser o maior presente que poderá dar-lhes. Trabalhemos na prevenção do abuso sexual infanto-juvenil.

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