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De menina a mulher: A jornada da Julessa


Aviso: O conteúdo desse texto poderá não ser apropriado para todas as audiências.

Trago uma vez mais um tópico extremamente serio que tenho vindo a debater se deva publicar. Decidi faze-los apesar de continuar a não ter referências que possa partilhar para ajudar a possíveis vítimas em similares circunstancias. Decidi ainda assim partilhar esse conto por completo, antes mencionado no D&P, advertindo a quem possa reagir enquanto ou após lê-lo que consulte com um pastor/padre, ou outra pessoa idónea na sua vida que o possa ouvir e orientar da melhor forma.


___
Chamo-me Julessa, tenho 14 anos. Depois de ter falado com a tia da minha amiga, uma psicologa, que ajudou-me a entender-me e ensinou-me algumas coisas, finalmente decidi escrever sobre o que me chateia. O que mudou a forma como vejo-me a mim e ao mundo.

Vivo com a minha mãe, três irmãos e o meu padrasto numa casa de quatro quartos. Por vezes temos outros familiares que ficam connosco por uma temporada. Há 6 meses que somos apenas nós.

Sempre fui uma menina calada. Os meus pais confiavam em mim, desde muito cedo e eu ajudava-os a cuidar dos meus irmãos. Quando não estivesse na escola quase não saia. Os meus amigos é que vinham cá a casa. O irmão mais novo do meu padrasto também vinha a nossa casa várias vezes . Ele é bem bonito, veste-se bem e cheira muito bem.

Um dia, notei que ele olhava pra mim enquanto eu arrumava acasa. Ignorei porque ele depois desviou o olhar e quando o perguntei o queestava a fazer disse-me que estava apenas a espera do irmão, o meu padrasto. Notei-oa olhar prà mim mais uma ou duas vezes mas ele sempre justificou. Eu não desconfiasse o contrário.

Certa tarde durante as férias, ele ligou pra mim; “quero falar comigo”, disse-me. Eu tinha 9 anos e ele disse-me “estás a amadurecer rápido alguém, tinha de ensinar-me algumas coisas.”

Perguntou-me se falava com a minha mãe ou com outra pessoa adulta sobre o meu corpo, como estava a desenvolver, o que tinha de aprender sobre ele. Disse-lhe que não, pois até então apenas me haviam dito que “em breve serás mulher.”

- Mas o que quer isso dizer, tio? Perguntei-lhe.

- Sobre isso é que te quero ensinar, disse-me ele. Mas não digas nada a ninguém. Os teus pais e os mais velhos acham que nós os miúdos não precisamos de saber.

Concordei. Acreditava que ele como miúdo também ia saber explicar-me melhor. “Os mais velhos são muito antiquados”, dizia-me.

Uma das vezes em que encontrou-me sozinha em casa,  ele tocou-me os seios e no rabo. Disse-me que não deixasse que os miúdos na rua ou na escola fizessem o mesmo. Ouvi a advertência e deixei passar. Certifiquei-me apenas que ficaria mais alerta aos miúdos quese queriam aproveitar de mim; ao menos pensei que estivesse.

Numa outra ocasião, o meu tio perguntou-me se tinha namorado. Respondi que não. Ele disse-me que preparar-me-ia para que soubesse como proteger-me e o que fazer com eles. O meu tio dizia-me que os miúdos da minha idade sabiam como tirar vantagem das meninas. Ele tinha 16 anos e como era da familia eu pensava ser o papel dele ajudar-me a crescer.

Nesse dia, ele beijou-me na boca e começou a beijar o meu corpo. Entre os beijos e amassos ele dizia-me de que era apenas para ensinar-me. Não duvidei. Fizemos isso duas vezes mais até que uma das vezes ele baixou as minhas cuecas e fez, o que entendo hoje ser, sexo oral. Eu gostei.

Passei a receber presentes dele. Com o tempo ele trazia-me mais e mais coisas como roupas, doces e bijuterias, mas pedia que não dissesse a ninguém porque os demais não entenderiam e separar-nos-iam. Os nossos encontros passaram a ser mais frequentes. Ele passou a pedir que eu fizesse coisas a ele mais do que ele a mim, como no principio.
Quando eu tinha 10 anos, ele passou a usar os dedos para penetrar em mim e dai o seu penis. Tudo isso acontecia só quando eu estivesse em casa sozinha ou quando ele deixava-me ir pra casa dele, quando estivesse sozinho também.

Há 8 meses atrás, o meu periodo menstrual não aparecia e eu achava que estava grávida. Apresentei-o a situação e ele pediu-me que não dissesse nada a ninguém, que ele ajudar-me-ia.

Ele agora tem 21 anos e já trabalha. Até tem namorada, de quem eu não gosto (mas isso são outros 500s). Como o meu periodo apareceu dois dias mais tarde, tudo ficou em nada. Mas ele deixou de querer estar comigo.

Dizia-me que eu já estava pronta para ter namorado. Até ai, ele disse-me sempre que o que estava a fazer era para ensinar-me a ser mulher.

Dois dias antes do meu aniversário, há 6 meses atrás, eu estava tão triste a espera da minha amiga, quando a tia dela questionou o meu astral. Eu disse-lhe que era como se tivesse algo entalado a garganta  mas não podia reclamar ou tirar de lá.

Ela levou-me até o escritório dela que eram apenas 2 quarteirões dali. Falamos por 2 horas.  Eu contei-a tudo.

Com o tempo e a ajuda dela, eu ganhei coragem de dizer a minha familia o que havia acontecido comigo. O meu padrasto quase que matou o irmão de tanta surra após a minha revelação. A familia já não é a mesma... Alguns acham que eu provoquei o que aconteceu.
A doctora ajudou-me a entender que a culpa não foi minha, queele soube como aldrabar-me, como ludibriar-me.

Hoje sei que o que o “meu tio” fez não é saudável. Ele precisa de ajuda, se calhar. Sei que o que senti (o prazer e por ele) é normal. Mas a mais importante lição foi que eu não causei nada do que se passou comigo. Aprendi que, quando mais nova, apenas o que senti foram apenas reacções normais do meu corpo.

Ele fez-me sentir que eu precisava de instruções por parece rpouco madura para a minha idade. Na verdade eu estava a crescer normalmente. Sento que se eu não me tivesse precipitado estariamos juntos até agora e ele talvés sentisse algo por mim. Já estava acostumada. Entretanto, também passei a reconhecer que ele usou e abusou de mim. Ele robou a minha inocência e fez de mim um objecto sexual.

Senti-me mal, usada, como se um lixo. Tenho aprendido a amar-mesem o que ele me fazia e a aceitar que sou bonita e digna de amor e consideração. Sei que ainda terei de fazer muito trabalho psicológico mas agradeço a tia da minha amiga por não ter ignorado quando me viu triste.

Espero que a minha experiência ajude a outros meninos e meninas a perceberem que abuso sexual é assunto sério. Que podem falar com alguém, ainda que em casa ninguém acredite em vocês.

Não estamos sozinhos! Isso (abuso sexual) acontece mais do que se ouve por ai. Mas não tem de continuar. Unidos podemos parar, ou ao menos diminuir, que usem e abusem dos nossos corpos; Da nossa inocência. 




Hidden- Desenho de Lwsinha MC

Comments

  1. uau!
    incrivel, fiquei congelada com este texto, principalmente na parte que o suposto tio diz que só a estava a preparar para ser uma mulher. Que necessidade tem uma menina de 9 anos em ser mulher? a natureza em si ensina e na altura certa... Temos mesmo que estar alerta para quem trazemos dentro das nossas casas, principalmente quando temos jovens meninas/os

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    Replies
    1. É isso, Africa e os seus encantos, todo o cuidado é muito pouco...

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  2. Ja tinha ouvido varias historias dessas, mas nunca tinha lido.Que situação mais triste, só espero que ela consiga superar esse trauma...

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    1. Com o tratamento apropriado a Julessa poderá superar sim... Infelizmente essas cenas acontecem nas vidas de muitos pequenotes entre nós.

      Delete

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