Ao fim de um dia de viagem em serviço à uma das localidades antes sem acesso por cause da guerra, na altura em que Dona Fonças ia prestes a embarcar é interpelada pelo rosto de uma mãe agarrada à filha. A senhora, uma professora naquela zona, pede que Dona Fonças leve consigo a sua filha, que cuidasse dela. Sem hesitar e nem mesmo perguntar os porquês daquele pedido, como muitas vezes o tivera feito antes, Dona Fonças segurou a mão da menina e levou-a consigo.
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Essa menina entrou para o meio dos seus outros “muitos” filhos. Acanhada, pouco falante, desenvolveu-se numa jovem mulher sensível, gentil, e muito linda. Eu conheci-a quando da chegada dela e acompanhei o rebentar da mulher que se tornou.
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Naquela altura, já estava quase na sua puberdade e mal tinha recebido educação académica, apesar da profissão da mãe biológica. Em 2013 ela terminou o ensino médio e está nesse momento a preparar-se para os exames de aptidão à universidade.
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Escrevo orgulhosa na mãe dela que tomou a dolorosa decisão de entregar à filha para que tivesse uma vida diferente daquela que ela via a menina vir a poder ter se se mantivesse aonde estava, apesar de não saber qual podia ter sido esse percurso. Orgulhosa também pelo acolhimento que vi ao longo de muitos anos dar a Dona Fonças que aceitou levar essa Esperança até nós e permitiu que ela florisse como deu-nos a oportunidade a todas nós que interagimos com ela. Mas mais orgulho ainda tenho pela Esperança, ao transformar-se do botão lindo que ela era a essa flor radiante que eu venho a conhecer. A ti, minha mana, uma das muitas
adoptivas que tive todos esses anos, desejo apenas o melhor nessa jornada de vida que segues. Que continues a valorizar as tuas bênçãos e a absorver o que de bem chega à ti. No dia do teu exame, serei uma das mãos a segurar contigo a caneta com que escreverás dando-te forças para que continues a singrar.
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Jinhos&Beijinhos
da mana Lwlw
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