Skip to main content

Uma vista no décimo de quinze Dias de Escrita

Ele insistiu que chegassemos de noite. Não gosto muito de viajar no escuro, mas não quis estar agar os planos dele. Deixamos as janelas do quarto abertas, deixando a briza fria fazer o seu trabalho. 

O quarto estava decorado com mobília rústica em madeira contrastada em tons de branco, incluida o gigantesco mosquiteiro com cheiro de jasmine. O verde das plantas no pequeno pátio fechado e as flores campestres deram um toque de casa.

Ficamos acordados até as 500s, desfrutado da companhia um do outro, distante do barulho da cidade, com os telefones des ligada. Conversamos aos som dos grills e a luz de velas.

Desperatei com o cantar do galo. Rebolei, tapei os ouvidos e tentei ignora-lo, mas dois outros juntaram-se ao cantarolar. Levantei-me para fechar a janela. Desacelerei ao vê-lo grudado as grades. Pus o meu braço direito a volta da cintura dele. Ele puxou-me afrente dele e sunsurrou ao meu ouvido, "por essa vista foi que eu insisti que viessemos."

Não sei quanto tempo ficamos ali. Ouviamos o chirlar dos pássaros, o latir de um ou dois cães, que parecem ter calado os galos. Respiramos juntos a pureza do ar e vislumbramos do verde que revestia os montes e os vales. As nuvens desfilavam pelo azul celestial, partindo em diversas formas, despertando gargalhadas em dois meninos que brincavam com jantes e paus, descendo pelo montes como se perseguindo as nuvens. Quando conseguimos vestir-nos, também andamos por aqueles pastos, fotografando e fizemos um picnic por baixo de uma árvore a beira do rio.

Foto de Lwsinha MC

Comments

Popular posts from this blog

Feliz dia da Mulher Angolana!

"Por ser Mulher" Desenho e poema de Lwsinha MC

Xadrez ressuscitante

(...) Os dias acinzentaram ao ver desaparecer a vida dos olhos do meu velho com a perda de memória dele. Já não se deixava sorrir de frustração por não encontrar as chaves do carro facilmente, ter perdido a independência dele e ficado sob a mercê do nosso tempo.  Passamos a sair em caminhadas por diferentes áreas do bairro. Hoje encontrarmos miúdos e mais velhos a jogarem xadrez numa das entradas da zona verde. Ele que dava tudo por um passo apressado, desacelerou e suspirou à vista de um tabuleiro que arrumava um menino numa das mesas. - Mô cota, queres jogar? Perguntou-lhe desafiante o miúdo. Respondeu-lhe com o sorriso que vi acender no rosto do velho e a rapidez com que se sentou e jogou por horas. Dali não saímos até escurecer. (...) Photo de Lwsinha MC Instagram  @dandp.da.lwlw

BC #2- "O que mudou na minha vida depois da maternidade"

E essa  é  a segunda blogagem colectiva aqui do "outro lado", uma iniciativa da Genis Borges do reciclando com a mamãe . Reciclando com a Mamãe   Com as minhas experiências da maternidade, aprendi que o corpo humano (e cada gravidez) é como se fosse uma doença positiva que gere vidas e trás alegrias, na sua maioria das vezes. Após nascer o meu menino, escrevi cartas às mulheres que fizeram de tudo para demonstrar-me as diferentes facetas da maternidade. Desde então que agradeço a minha própria mãe, que não desistiu, no meio de tanta adversidade, para que eu nascesse. Pela deligência dela, para sempre serei grata. Pessoalmente, deixamos (eu e o pai) de ouvir ou ver todo e qualquer tipo de música, programas de televisão ou filmes, quando bem nos apetece. Hoje temos horários para tal, quer seja em casa ou fora dai. Ir ao cinema passou a ser orquestrado de formas a fazermos durante o(s) horário(s) que o(s) menino(s) estivesse(m) na escola. Desde que eles...