Skip to main content

Eternamente saudosa...

Não bem nostálgica, mas sim hoje acordei saudosa. De coisinhas e detalhes que me fizeram quem sou…

Bateu uma saudade grande de estar sentada tardes a fio a ouvir muito boa música na rádio enquanto gravava cassetes com as “quetas” favoritas que acabavam por ser interrompidas por anúncios ou os locutores da rádio.

Daquela chuva pequena de apenas minutos ou poucas horitas que arrefecia o chão e deixava um aroma no ar que, dependendo do sitio aonde estivesse, podia bem ser desagradável

Das vozes teimosas das vendedoras ambulantes, agora conhecidas por kinguilas, que nos tempos apenas eram as peixeiras e os afiadores de facas, que nos seus gritos desesperados prà chamar clientela ecoavam por toda a cidade.

Das buzinas malucas que nos anos 80 e 90s até eram organizadas e não se igualam a anarquia que se ouve hoje.

Da forma como é anunciado o jornal da 1 na rádio e o silêncio exigente em quase todas as casas para que os “cotas” pudessem inteirar-se do que se passa pelo mundo e na nossa santa terrinha.

Da verdade que eram as faltas de luz ou água até o término da Guerra… Da oportunidade que era no fim do dia congregarmo-nos entre amigos em algum canto no nosso quarteirão ou fugir prà quarteirões alheios.

Das festas de contribuição com bolos funje e arroz doces duros, que podiam, respectivamente, servir de arma de ataca ou cola temporária e gordurosa de papel. Das músicas tocadas em diferentes línguas e readaptadas a nossa realidade baseada em novelas ou eventos humorísticos

Do aroma do óleo de palma e/ou fuba peneirada na cozinha, no quintal, ou aonde quer que a comida estivesse a ser feita num sábado, como só se sente quando se está em casa. Da mistura de paladares da nossa cozinha, mas mais ainda dos kitutes que eu tanto adoro (ex. Kitaba com farinha e açúcar ou no pão, kifufutila, doce de coco cabo-verdiano que a minha tia Ofélia faz, do pé de muleque, e outros que so de pensar salivo pior que os cães nas experiencias do Pavlov- famoso psicólogo Russo).

Acredito que essa saudade começou ontem quando ouvi, por horas, salsa antiga e nova, e kizomba dos tempos de outrem, desde o Lalo Rodriguez (devorame otra vez), Lloaras de Oscar de Leon a “Santimantal” de Annick et Jean claude Paroles ou Harry Diboula (Tu me manques). Lembrei-me da forma de dançar do meu velho que na sua postura gigantesca e no seu espírito acolhedor cativou sempre a minha atenção e roubou o meu amor desde o primeiro dia em que apercebi-me de quem ele é prà mim. Saudades, saudades, saudades eternas de todas essas experiências, mas maior saudades do meu velho AGM!!!

Comments

Popular posts from this blog

Feliz dia da Mulher Angolana!

"Por ser Mulher" Desenho e poema de Lwsinha MC

Xadrez ressuscitante

(...) Os dias acinzentaram ao ver desaparecer a vida dos olhos do meu velho com a perda de memória dele. Já não se deixava sorrir de frustração por não encontrar as chaves do carro facilmente, ter perdido a independência dele e ficado sob a mercê do nosso tempo.  Passamos a sair em caminhadas por diferentes áreas do bairro. Hoje encontrarmos miúdos e mais velhos a jogarem xadrez numa das entradas da zona verde. Ele que dava tudo por um passo apressado, desacelerou e suspirou à vista de um tabuleiro que arrumava um menino numa das mesas. - Mô cota, queres jogar? Perguntou-lhe desafiante o miúdo. Respondeu-lhe com o sorriso que vi acender no rosto do velho e a rapidez com que se sentou e jogou por horas. Dali não saímos até escurecer. (...) Photo de Lwsinha MC Instagram  @dandp.da.lwlw

BC #2- "O que mudou na minha vida depois da maternidade"

E essa  é  a segunda blogagem colectiva aqui do "outro lado", uma iniciativa da Genis Borges do reciclando com a mamãe . Reciclando com a Mamãe   Com as minhas experiências da maternidade, aprendi que o corpo humano (e cada gravidez) é como se fosse uma doença positiva que gere vidas e trás alegrias, na sua maioria das vezes. Após nascer o meu menino, escrevi cartas às mulheres que fizeram de tudo para demonstrar-me as diferentes facetas da maternidade. Desde então que agradeço a minha própria mãe, que não desistiu, no meio de tanta adversidade, para que eu nascesse. Pela deligência dela, para sempre serei grata. Pessoalmente, deixamos (eu e o pai) de ouvir ou ver todo e qualquer tipo de música, programas de televisão ou filmes, quando bem nos apetece. Hoje temos horários para tal, quer seja em casa ou fora dai. Ir ao cinema passou a ser orquestrado de formas a fazermos durante o(s) horário(s) que o(s) menino(s) estivesse(m) na escola. Desde que eles...